terça-feira, 6 de dezembro de 2016

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Um Baita Puerpério

PUERPÉRIO
substantivo masculino
obst período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação


 São 6 meses pós parto e o estado geral não voltou às condições anteriores à gestação. Talvez por ser o terceiro puerpério em 3 anos e meio, talvez pela gestação ter sido no susto o que tá pegando é que o puerpério não está aliviando!!!
Eu vivo triste, desanimada, cansada, irritada. Junte a isso um anticoncepcional que me deu 6 kg, ressecou meu cabelo e me deu enxaqueca e mais mal humor, duas crianças que demandam atenção entre as7h e as 21 horas e o fato de que minha turma está se formando e eu não tenho ideia de quando será minha vez e imaginem a tensão diária...
Eu amo essas crianças, quanto a isso não há dúvidas! Cada sorriso, gargalhada e gracinha nova faz a minha alegria, mas no geral ainda não está fácil.
E aí é preciso lidar com um tantão de coisas, né? Com gente dizendo que eu estou gorda, com gente dizendo que eu não estou me formando por culpa minha e mais um monte de ser humano com informações óbvias e conhecidas por mim. Apoio? Só do pai das crianças mesmo, que precisa lidar com as minhas constantes mudanças de humor e continua sendo um amorzinho, mesmo quando eu reclamo de tudo e digo que quero me separar.
Me mantenho na esperança de que em algum momento antes do dia 26 de maio de 2018 (não, eu não errei o ano não, é isso mesmo) esse puerpério me deixe em paz.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

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Plantão

Tan tan tan tan tan tan tan tan tan tan taaaan



Na Lata


No último sábado, dia 26, Ravi completou 3 anos e Cecília 6 meses. Assim, num único golpe meu curumim deixou oficialmente de ser bebê, com e-mail de despedida do Babycenter e tudo e a miúda passou de fase abandonando o aleitamento exclusivo e começando a IA (volto com um post só sobre isso).


Blogger

Mudou tudo no blogger? O app continua uma bosta sem mostrar o feed e os comentários e o layout da página tá todo diferente e difícil de usar pelo celular. Acabo perdendo vários posts.


Mães e Mais  

Estou, junto a um grupo de mães lindas, refinadas e meio lelés, trabalhando na construção de um blog para mães. O nome, Mães e Mais, é porque além da maternidade vamos falar de ~mulher pra mulher~. Eu espero vocês por lá. 
O conceito de lá é bem diferente do daqui, por isso seguimos com a programação normal  


terça-feira, 29 de novembro de 2016

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Sapos e Princesas

 Texto por Viviane Werdorn
 
 
A diferença do modo de se vestir entre homens e mulheres pode ser percebida na maternidade. No berçário todos os meninos se parecem: de macacãozinho, embrulhados na manta, com carinha de joelho. Já entre as meninas, a única coisa parecida é a carinha de joelho, porque a Mariana está com uma desconfortável tiara rosa na cabeça. A Pietra acabou de furar as orelhas e está com um brinco de ouro dado pela avó. A Bianca, coitada, volta do quarto a cada duas horas com um laço de cor diferente naquela penugem que a mãe cisma em chamar de cabelo.

Anos mais tarde, João se prepara para a festa de aniversário do Pedro. Primeiro põe a cueca da Liga da Justiça, depois a calça jeans do Homem Aranha, a camisa nova do Super Man, as meias da escola e os tênis do Batman. Em quinze minutos está pronto. Bruna vai para o mesmo aniversário. Sai do banho e sua mãe demora vinte e cinco minutos para desembaraçar aquele enorme cabelo. Põe a calcinha da Barbie, em seguida a meia calça, depois a camiseta segunda pele, depois o vestido, amarra o laço do vestido, põe o broche da Hello Kitty no laço do vestido, calça a sapatilha de cetim, dá três voltas na fita da sapatilha em volta da perna, refaz o laço três vezes até ficar bonito, e pronto! Agora já pode arrumar o cabelo. Vinte minutos de secador, vinte de chapinha, finaliza com o mousse e coloca uma tiara combinando com o vestido. Passa um batom clarinho e confere as estrelinhas nas unhas, pintadas no dia anterior. Uma hora e doze minutos depois está pronta para a festa.

Aos quinze anos essa diferença é ainda mais gritante. Os homens continuam com o mesmo quarteto: cueca, meias, calça e camisa. No máximo acrescentam um relógio e um gel no cabelo. E as mulheres, além da roupa, do cabelo, das unhas e do sapato, agora se preocupam com a bolsa, com os brincos, com os anéis, com relógio, com a maquiagem, com a roupa das amigas, com a roupa do pai que vai levá-la à festa. E, um dia antes divertido, vira um verdadeiro estresse na vida de uma quase-mulher.

Aos quase trinta ela escolhe, primeiro, a roupa do namorado. O de sempre: cueca, meias, calça e camisa. O trio seguinte: gel, relógio e perfume, ela deixa “por conta dele”. Ele, normalmente, usa o perfume que ela deu no dia dos namorados, o relógio que ela deu no natal e o gel que ela pediu na revista de cosméticos. Enquanto ele toma banho, ela troca o esmalte clarinho das unhas por um mais vibrante. Ele sai e fica pronto nos mesmos quinze minutos e vai assistir tv. Ela lava os cabelos com um xampu extra brilho liso perfeito com queratina e proteínas termoativadas. Usa uma máscara condicionante que promete tantos milagres quanto o xampu, usa seu sabonete facial pré-maquiagem, lava o corpo com um sabonete líquido de maracujá e, em quarenta minutos, consegue sair do banho. Desembaraça os cabelos, passa hidratante em todo o corpo. Depois usa o desodorante que clareia e deixa suas axilas bonitas. Escolhe qual dos 10 perfumes vai usar. De preferência com um aroma que combine com o xampu, o condicionador, o desodorante e o hidratante corporal. O vestido, o sapato, a bolsa e as joias são a parte mais fácil, pois já estão separados no closet há um mês. Vestida e perfumada ela se põe a arrumar os cabelos: secador, chapinha, grampo, presília, gel, mousse, pomada e tantos outros tipos de finalizador. Após o cabelo, a maquiagem. Corretivo, base, pó compacto, blush, sombra, delineador, curvex, rímel, batom, gloss. Exatamente nessa mesma ordem. Em duas horas, vinte e oito minutos e trinta e dois segundos ela está pronta. Linda. Deslumbrante. Ele desliga a tv, pega as chaves do carro, olha para ela e diz: você está linda! E ela, humildemente, responde: Imagina! São seus olhos... 
 
 
Original aqui

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

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Melhor que ser surdo

Fui dar um jeito na minha juba no salão e olha amigas...as vezes a gente precisa abusar da cara de alface!!!!

"Só no peito? Faz isso não, a nossa alimentação não é como a de antigamente, sua filha não está recebendo todos os alimentos que precisa"

"Coitada, nem água? Ela deve sentir muita sede. Bebe você um copo de leite pra matar a sede."

"Que linda! Graças a Deus que o cabelo dela é bom."

"Se o cabelo da minha filha fosse ruim, eu faria progressiva com 2 anos. É a autoestima dela, gente. Ninguém se sente bonita com cabelo duro."

Então é isso, né mores? A gente faz cara de alface e deixa falar...porque com certas cabeças fechadas não adianta argumentar.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

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Sobrecarga

"Cada escolha uma renúncia."
É assim que as coisas são, né? Quando você escolhe uma coisa, automaticamente abre mão de muitas outras. Quando escolhi manter a gestação da Cecília, renunciei a formatura em dezembro de 2016.
Apesar da escolha ser óbvia, por motivos diversos, a renúncia não foi fácil, não é fácil, ainda. Tenho tido dias de um bode danado. "O que raios eu fiz com minha vida?"
E não pode, né? Porque ai de mim reclamar dos rumos da minha vida, afinal eu dei porque quis, fiz filhos porque quis, eu que aguente. É isso que nossa sociedade de eleitores de Trump e Bolsonaro tem a dizer.
E meus filhos são lindos, saudáveis. Tô reclamando de que?
Se o Ravi tá mais enjoado que nunca, chorão, carente é só eu fazer ele participar das atividades, tirar 15 minutos do dia só pra ele, explicar que ele tem uma irmã agora...é tão simples.
O marido divide as tarefas domésticas, eu quero mais o que? Pra que exigir que ele tenha proatividade no cuidado das crianças? Ele já cuida da casa, tô no lucro.
E a faculdade? Não me formei ainda porque não quis, quanta gente se forma no tempo certo com filhos.
E esse cabelo ressecado e mal tratado? E o sobrepeso beirando a obesidade? Isso é relaxamento, tanta mulher consegue se manter linda mesmo com 3, 4 filhos.
"Cada escolha uma renúncia"
A gente escolhe todo dia, a gente renúncia todo dia. O tribunal social civil nos julga todos os dias, o tempo todo.
A mim, nesse momento restam um bode medonho pelo diploma adiado, o cansaço de lidar com 2 bebês, a falta de tempo de cuidar de mim, o constante estresse de dividir o quintal com parentes e, obviamente 2 filhos lindíssimos e um companheiro que cuida da casa.