Pagando a língua

Diz que ser mãe é padecer no paraíso, padecer na internet..eu digo que ser mãe é padecer em seus próprios julgamentos. Ser mãe é pagar a língua, amiguinhas.
Eu já descobri isso no trabalho de parto. No hospital tinha banqueta, tinha chuveiro de água quente, tinha bola suíça e eu toda índia, toda pró curtir as dores fiquei deitada lá chorando e gemendo. Frouxa!
Aí nasceu meu pacote, pequeno, cheiroso limpinho e eu que sempre achei uó mãe que amarrava a cara quando mexiam com as suas crias, virava bicho sempre que alguém pedia pra ver meu filho. Fiquei doida paranóica, não gostava de absolutamente ninguém perto dele e sempre que alguém elogiava o Ravi, eu amarrava a cara.
Ah e tem a clássica "não vou adaptar minha casa ao meu filho, vou adaptar meu filho a minha casa". Vejam bem, no mundo do faz de conta, minha casa ficaria igualzinha e meu filho aprenderia desde sempre a não mexer nas coisas. Aí o Ravi aprendeu a engatinhar e depois a andar e a mexer nas coisas e se possível fosse todas as minhas coisas estariam presas no teto. Os DVDs que ficavam na rack estão bem guardados no quarto e o espaço que eles ocupavam agora fica cheio de carrinhos e outros troços infantis.
Parede rabiscada é coisa de mãe relapsa, é só não deixar lápis e canetas ao alcance da criança, ora bolas. Essa era fácil, né? Só que eu sou univesitária e em semana de provas sempre tem uma apostila com um destaca texto por perto e o pai é desenhista e sempre tem um lápis ao alcance. E tem um rabisco com destaca texto rosa choque na parede da sala e um rabisco de lápis no quarto. E um de lápis de cor no grafiatto da varanda já que eu deixei meu Jardim Secreto e os lápis pra fazer pipi.
E a coroação é aquela galinha azul maldita! Filho meu não iria assistir Galinha Pintadinha! Não! De jeito nenhum!
Aí eu vou pra faculdade e minha mãe fica com ele, e precisa fazer almoço e Ravi não sossega e um dia eu chego e ele está sentado assistindo um vídeo da tal galinha no tablet, mas OK só com a vó, comigo não...na minha presença não..não vou incentivar isso. Bem, vocês sabem onde isso vai dar, né?
Toda noite antes do banho e da janta nós assistimos um DVD da Cocó, eu comprei uma Cocó de pelúcia e as vezes me pego cantarolando as músicas da maldita...
E só pra fechar, os gritos. Eu não seria uma dessas mães que grita, criação com apego, carinho o tempo todo, disciplina positiva. "Filho, vem pra cá." "Filho não mexe aí, amor. Chega pra cá, vamos brincar." "Ravi vai quebrar, vem pra cá" "Filho!" para, respira, pensa na disciplina positiva, "Vem filho, vamos desen..RAVI! OLHA AÍ QUASE QUE SE MACHUCA."
AFF!!!
Fico me sentindo péssima por horas quando grito, mas tem dias que grito.
E assim eu sigo, pagando a língua um pouquinho por vez.

Comentários

  1. rsrsr nossa totalmente verdade seu post vivo pagando a lingua em muitas coisas e acho que ainda pagaremos mais ...engraçado né como nossa visão muda qdo estamos do outro lado

    um beijooo

    ResponderExcluir
  2. Hahaha!!!
    Tudo muda, né?! Às vezes só a postura, às vezes a própria convicção que tínhamos...
    E de cuspe em cuspe, acho que aprendemos a enxergar melhor nossa própria testa...rs

    Beijo

    ResponderExcluir
  3. Só tenho algo a dizer... tamo juntas! Hehe
    bjo!

    ResponderExcluir
  4. kkkk eu ri amiga...esse é o nosso mundo...kkkk

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Os comentários são moderados para evitar a fadiga, mas não se acanhe e comente ou me sentirei falando sozinha.

Postagens mais visitadas deste blog

A perda gestacional existe...e tem rosto.

Epifanias

Uma Baita Viagem?!