"O sol há de brilhar mais uma vez.."

Esse post foi inspirado por esse aqui da Marina

Antes do Ravi ser concebido eu passei por uma batalha pessoal. Valber não queria uma nova gravidez tão cedo, algumas pessoas tentavam me convencer a esperar mais, que eu estaria me precipitando ao voltar logo a tentar. Eu não tinha muita voz, meus desejos não eram muito levados em conta.
Eu era uma mãe sem filho, eu tinha gerado uma vida por 38 semanas e 6 dias, sentido mexer, decorado quarto, escolhido nome, lavado e passado roupas e só tinha visto meu filho por menos de 5 minutos. Não que esses 5 minutos fizessem diferença já que, ainda hoje, eu me lembro de cada detalhe daquele rostinho. Quando chegou o mês de janeiro e eu poderia voltar a tentar, eu era só uma sombra do que eu já havia sido um dia. Uma versão acinzentada de mim mesma.
Minha avó estava doente pra coroar, ninguém sabia ao certo o que ela tinha até então, mas já dava pra saber que era grave afinal ela já não andava e sentia muitas dores.
A gente tinha decidido tentar em abril e depois assim que mudássemos, mas aí em fevereiro a dona Monstra veio mais cedo, mesmo comigo tomando remédio e naquela noite conversei com o marido, que ainda era namorado e disse que não queria tomar mais AC, que queria engravidar logo porque queria muito que minha avó conhecesse meu filho e ele topou.
Dia 25 de abril daquele mesmo ano minha avó faleceu, era um tipo raro de câncer nos ossos, difícil de diagnosticar e mais ainda de tratar. Foi-se e nem sabendo que eu estava esperando o Ravi ela estava.
E aí eu tive medo! Muito medo! Medo da responsabilidade que aquela criança teria ao nascer.
"Ravi", o sol que me ilumina! Nasceu às 6:22h, junto com o sol. Nasceu empelicado.
E assim que ele nasceu meu medo passou, porque o simples fato de ele existir já havia me transformado numa pessoa mais feliz.
Sempre sorridente, carinhoso, engraçado, fácil de lidar. Transformou, sem dificuldades, não só a minha vida, como a de todo mundo em volta. Meu pai, colecionador de carrinhos que jamais deixava ninguém tocar, senta no chão pra brincar com o guri e se quebrar, quebrou. Minha avó paterna, com seus 85 anos não sabe falar de outra coisa, não há uma velhinha no bairro que não saiba como é "esperto" esse bisneto e bonito, "é muito bonito  dá vontade de ficar olhando toda vida", minha mãe que sempre foi rígida com as crianças só falta deitar no chão pra ele pisar. Ah se eu fizesse metade do que ele faz com ela...ah se nos meus tempos eu espalhasse brinquedo só pra dizer "cata vovó, Jagi fez bubunça". E ela cata, viu? E diz que é a última vez, que a mãe dele desde pequenininha catava os próprios brinquedos...
Ravi que canta a música de abertura de A Regra do Jogo, mesmo que nessa casa não se veja novela, que faz meu pai tirar de um jogo do Botafogo pra ver o Show da Luna, que fez o avô passar a trabalhar dia sim dia não pra vê-lo crescer.
Ravi que acorda sempre com um sorriso e dá "bodia mamãe, bodia papai." e que ao meio dia pergunta se hoje não vai ter papa. Ravi que come feito uma draga mas não passa de 11 kg por nada nessa vida.
Ravi que perturba a gata em níveis surreais, mas é tão delícia que ela não consegue dormir longe dele. E que conseguiu amar e integrar a Janine a família, sem ciúmes só amor.
Ravi que me dá "tchau, bo aula" quando acorda antes de eu sair pra faculdade e que faz carinho na minha barriga, que conversa com a neném que se chamará "irmã o Jagi", que assisti ao Chaves com o pai dele e dá risada, e imita o Kiko e dá mais risada. Ravi que toca violão, guitarra, bateria e canta...e como canta!!!!
Ravi que veio, numa manhã de terça feira fazer de mim uma pessoa melhor e me fazer desejar fazer do mundo um lugar melhor.
Ravi que foi, sem dúvida nenhuma, escolhido a dedo pra ser meu filho porque sem dúvida é o filho perfeito pra mim. E se algum dia eu já duvidei que o Divino cuidava de mim, há 26 meses eu tenho em casa a prova de que Ele existe e cuida muito bem de mim...

Foto tirada às 6:30 da manhã do dia 23/02

Comentários

  1. Mas gente que sorriso mais lindo as 6h30 da matina =).E sua avó tem toda razão, ele é lindo mesmo e muito esperto.
    Acredito que não tenha palavra melhor para definir um filho do que "sol", eles chegam mesmo iluminando, irradiando luz, amor, paz, transformando nós e nossas vidas.
    E que sorte heim?! Dois sóis ardendo no seu <3!!! É muito amor!

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  2. Que lindeza de post! Me emocionou demais!!
    Que sorte a sua ter esse sol por aí!!
    E que sorte a dele ter escolhido você!

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  3. Que lindo texto, Mari!
    esses pequenos colorem nossas vidas de um jeito muito único mesmo, é uma delícia, né!

    beijo beijo <3

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  4. Ao terminei de ler caiu um cisco grandão no meu olho... Lindo texto, Mari! E você é a mulher escolhida a dedo por Deus pra ser a mãe do Jagi.

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  5. Mari chorei com o seu post, como não amar o Ravi??? Lindo, carismático e super inteligente, essa a tia aqui ama muito, vontade de apertar

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  6. Vc me fez chorar muito.
    O Pai Celestial nos conhece e dá exatamente oq precisamos. Tive minha primeira prova disso quando nasceu meu Morôni, que era a realização de um sonho. E absoluta certeza quando ele mandou esse anjo em forma de menina, que eu amo tanto que dói.
    Deus é sábio, é amoroso.

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