Abra sua mente, mãe também é gente!

No dia 4 de fevereiro eu escrevi um post problematizando algumas questões da maternidade, foi antes do Desafio da Maternidade, foi antes da moça de nome Juliana dizer que apesar de amar o filho, detesta ser mãe e de um montão de outras pessoas esquecer a compaixão e a empatia e julgá-la, condená-la e apedrejá-la.
E essa história toda só comprovou uma teoria que eu já tinha, mãe não pode reclamar em voz em alta, tem que sofrer calada. Tem que amar cada aspecto, até aqueles que são um saco!!!!
Quantas mulheres vocês conhecem que foram dispensadas depois da licença maternidade? E quantas largaram o trabalho porque financeiramente não compensaria pagar uma creche em tempo integral para os filhos? E ficar em casa, cuidando de filho o dia todo é ótimo, maravilhoso, mas enche!!! Você quer sair e ver gente adulta!!! Tudo bem que quando você sai, sua cabeça fica em casa, no filho, no que ele está fazendo, será que tá comendo, tomara que tenha dormido, mas sair é bom.
Eu amo muito meu filho e eu não trocaria minha vida com ele por nada, mas faz mais de 2 anos que eu não durmo uma noite inteira, porque mesmo quando ele dorme, eu acordo pra conferir como ele está. Eu amo salto alto, mas acabei de por os meus pra vender na OLX porque não uso mais, mesmo quando eu saio sem ele, o que é muito raro. Eu amo cinema e desde que ele nasceu eu fui duas vezes! Filme a gente assisti pela Netflix, no conforto do nosso lar. Eu não estou reclamando de nada disso, essa é a minha vida agora, mas é uma vida bem diferente da vida que eu tinha em 2011, por exemplo.
Logo no primeiro final de semana de vida extra uterina do Ravi, meus pais viajaram para a praia, aqui o sábado amanheceu chovendo e lá um solzão de dar gosto, brinquei no Facebook (marcando minha mãe) que ela estava na praia com sol e eu presa em casa com chuva. BRINQUEI!!! Estava recém parida, num puerpério medonho, com um baby blues de dar gosto e advinha só "mas você está com seu sol que é melhor que qualquer praia" e esse comentário ganhou mais curtidas que a minha piadinha...Eu tinha perdido um filho 13 meses antes, eu estava radiante com aquele gurizinho ali, deitado no sofá, eu morreria por ele quantas vezes fosse necessário, eu não trocaria aquele momento por nenhuma praia, eu estava brincando!!! Mas, mãe não pode brincar, reclamar...
Mãe tem que super, tem que cuidar da casa, dos filhos, do corpo, do marido, sair com as amigas e trabalhar pra ajudar nas despesas porque já estamos em 2016 e ser sustentada por homem é uma vergonha!!!! Trabalhar mesmo que os empregadores não queiram contratá-la porque ela é mãe!
A mãe que trabalha fora está errada, porque está terceirizando a criação dos filhos, a mãe que não trabalha também está porque não pode ser sustentada por homem. Mãe tá sempre errada!
Mãe é gente, igualzinho as outras mulheres. Mãe cansa, sonha, tem preguiça e medos. Mãe não precisa "padecer no paraíso", não precisa ser assim, mas acaba que é, porque a sociedade ainda cobra MUITO mais das mães do que das outras mulheres.  
"Cadê a mãe dessa criança?" Nunca é cadê o pai, o pai tem outras responsabilidades. Tipo, pagar pensão ou colocar comida dentro de casa, o resto é a mãe que faça!
Chega, né?
Deixem a Juliana amar o filho e detestar ser mãe, deixem a mãe ter um dia de preguiça, deixem o pai cuidar dos filhos sem ser transformado em herói por não estar fazendo mais que a obrigação!!!
Deixem esses pensamentos pra lá!!! Deixem a mãe ser gente!!! Não aceitem a capa de super heroínas, ela é mais uma prisão do que outra coisa!!!
E respeitem mais uma as outras!! Sororidade, empatia, compaixão!!!!
Sejamos mais unidas!!!!!

Comentários

  1. Acho que é isso que falta Mari empatia, sororidade, compaixão, solidariedade, compreensão e mais amor, principalmente entre as mulheres e mais ainda entre as mulheres e mães.
    Menos disputas, menos julgamentos e mais amor <3!!!

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  2. Ando muito revoltada com coisas nesse sentido, como a responsabilidade e culpa de tudo é da mãe...sobretudo agora vejo como é dificil poder falar do cansaço e do peso de tudo sem que as pessoas entendam que não, eu não amo menos meu filho, e não, eu não voltaria atras, mas eu canso como qualquer pessoa. Só outras mães - e algumas, não todas - entendem quando falamos isso.

    Tinha muito tempo que não vinha aqui, fiquei feliz pela novidade. Lá vem a Penetra! (Estou no time dos curiosos pelo nome!).

    Beijo, D.

    https://desejodebebe.wordpress.com/

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