Vamos falar de parto?


Disclaimer: Quando esse selo aparece significa que a intenção do texto não é a de causar brigas e nem ofensas. É só minha opinião, no meu blog. Pode discordar, mas sem treta



Eu quero falar sobre meu parto, mas antes disso preciso falar sobre o parto em si e sobre o movimento da humanização (ando uma chata de galocha? Ando).
Veja bem, eu acredito que certas coisas só no radicalismo mesmo! Essa mulherada aí que não se cala e enfrenta o sistema conseguiu que lá em BH todas as parturientes tivessem direito a uma doula além do acompanhante que escolhessem. Sem radicalismo não rolaria uma vitória dessas, o problema é quando esse radicalismo vira para outras mulheres.

E vamos lá a um causo:
Estava grávida de Ravi e me recomendaram uma doula top de linha, maravilhosa, atenciosa e fofuxinha. Adicionei no Facebook, conversei com ela e no papo ela me perguntou porque eu não fazia um parto domiciliar, e eu disse que não tinha como  e que"quem sabe na próxima". Naquele mesmo dia, num tópico em algum grupo de índia que eu participava, ela comentou algo como quem quer vai lá e faz que quando a gestante começa com papo de quem sabe na próxima ela já desanima. E eu fiquei MUITO triste, sonho com um PD até porque ~tetesto~ hospital mas naquele momento não cabia mesmo no meu orçamento, estava reformando minha casa ainda, tinha acabado de mobiliar tudo, enfim não rolava e lá estava a doula que deveria ser mega atenciosa me julgando porque não podia ter um PD. 


Estava lendo o relato do VBAC da Mariana Belém, esses dias, e me deu um certo aperto no peito e uma certa vergonha, confesso. Porque nos comentários a galera tá lá dizendo que ela foi fraca por pedir a analgesia, que episiostomia é violência obstétrica, mesmo ela tendo pedido.
Não estou me ausento de culpa não, até pouco tempo atrás eu me achava a detentora de conhecimento e que minhas decisões eram AS certas, não vou negar, mas graças a Deus a gente tá aqui pra aprender e evoluir.

Parto humanizado é coisa linda, é perfeito e deveria ser o normal, o certo era todo parto ser humanizado, seja a cesárea (eletiva ou necessária) ou o vaginal (natural ou com anestesia). Mas, cá entre nós, é para poucas!!!! Primeiro porque sem informação a gestante fica a mercê dos ginecologistas, segundo porque sem uma belíssima rede de apoio é fueda, além do fato de que nem todo mundo tem o dinheiro pra bancar enfermeira obstétrica, doula (ok, ok, tem doulas voluntárias, inclusiva a Isadora Piaia que foi a doula do Ravi não cobrava nada na época) e menos ainda pra um PD. Ah mas tem o SUS, você me diz e aí eu volto pra rede de apoio, porque não é toda família com plano de saúde que vai apoiar a gestante que quer ir ter o bebê no SUS. Sem contar com todas as crenças de que o parto é uma experiência medonha, o medo da violência obstétrica, de ficar larga e o marido largar, do bebê passar da hora...
Sim, todos esses medos se curam com informação, mas seria muito melhor se essas informações chegassem depois de um acolhimento e dadas com suavidade e empatia.
Quem sabe, no futuro a humanização esteja mais humana....



Comentários

  1. Tava meio que pensando nisso esses dias..que a maior dificuldade de humanização é que ela depende totalmente de...bom, humanos!
    Pro bem e pro mal..sejam profissionais que vão dando passos de formiguinha e trazendo mudanças, sejam extremistas que não conseguem encontrar empatia e não julgamento, que não conseguem "aprender e evoluir"... Como é difícil dar tantos passos pra trás e só alguns pra frente, né?!
    Tô nessa esperança e nessa luta tb!

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  2. Ai Mari esse radicalismo me deixa tão triste, para baixo mesmo, porque isso só afasta ainda mais as mulheres do movimento pela humanização do parto, e para algumas um parto natural envolve ainda mais do que dinheiro, envolve aspectos mais profundos sabe? Aspectos que só muita informação, empatia, acolhimento e sororidade poderiam resolver.
    Torcendo para que seu parto seja lindo =)!
    Bjs

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